Fica PM!
Após confronto com a polícia, moradores se sentem mais seguros com a presença das tropas no bairro de Paraisópolis
A Operação Saturação por Tropas Especiais (OSTE) proporcionou sensação de tranquilidade e segurança aos moradores de Paraisópolis. Em turnos de oito horas, 341 policias se revezam na patrulha diária com cerca de 80 viaturas, circulando nas ruas estreitas e ladeiras íngremes da região que há aproximadamente em 60 dias mudou de cenário.
Enquanto crianças brincam á vontade em frente a um verdadeiro acampamento militar instalado na entrada da favela, moradores confirmam que não temem a presença da PM. “Por mim eles ficavam aqui”, diz Antonia Silva Paes, dona de um pequeno comércio de frutas. “A ocupação está de parabéns, agora me sinto mais calma quando meu filho vai estudar e meu marido trabalha”.
Uso de entorpecentes e vandalismo causado por adolescentes sem limites eram as maiores queixas e receios dos habitantes, mas a polícia está agindo para combater essas ocorrências. O encarregado da operação, capitão Ronaldo Miguel afirma: “Estamos autorizados a fazer o policiamento preventivo e a repressão imediata. A própria população coopera com informações, como a localização de pontos de drogas”. A criminalidade diminuiu em 36% desde a ocupação no dia 4 de fevereiro e dentre os crimes mais controlados está o furto de veículos que caiu para 61%. Houve 122 prisões em flagrante, 31 armas de fogo e aproximadamente 14,800 Kg de drogas apreendidas.
A ocupação não tem prazo para sair de Paraisópolis e os moradores temem o futuro após a retirada. “O poder paralelo está escondido agora, mas a gente tem medo do que vai acontecer depois”, diz o jovem que não quis ser identificado. O diretor da Associação dos Moradores de Paraisópolis, José Rolim, relatou: “Os envolvidos no confronto do dia 3 de fevereiro eram daqui, mas quem mandou era da cadeia, que seria o poder paralelo. Essa molecada de 17 anos não tem título, não vota e não crê nas melhorias”.
Há ainda quem não goste da presença da PM no bairro e quem prefere não opinar por medo de represálias das duas partes. “Tem uma pequena minoria que não quer que a gente fique aqui, não sei por que” diz o capitão. Já houve ocorrência de um indivíduo denunciar dois subordinados meus de agressão contra usuários de cocaína, mas os próprios abordados não confirmaram a versão. “
Como aconteceu com a intervenção dos policiais em Paraisópolis no ano de 2005, o governo continuou monitorando a região mesmo após a saída das tropas, e caso haja necessidade, a operação deste ano poderá reocupar o local. “Nada nos impede de voltar”, conclui capitão Ronaldo.
Muito além do combate ao crime
Não é só com crimes que a Polícia Militar trabalha. Desde o início da ocupação, as tropas realizam mais de cinco ações sociais para a comunidade, entre elas atendimentos odontológicos, prestações de serviços como Poupatempo, apresentações com cães e com instrumentos musicais, palestras de prevenção para a saúde e meio ambiente. Esses projetos estão inseridos na Virada Social, programa do Governo do Estado junto á prefeitura.
Aproximadamente 1000 pessoas foram beneficiadas em cada iniciativa, principalmente crianças. No dia 4 de abril, houve um evento para entrega de pipas ás crianças e aos jovens como forma de integração entre moradores e milícias. Os eventos são divulgados pelos próprios policiais que com suas viaturas distribuem panfletos pelas ruas de Paraisópolis.
BOX- Por trás da história da comunidade
O vereador José Rolim, foi durante 11 anos presidente da Associação dos Moradores de Paraisópolis e desde o ano de 92 vive uma batalha constante para defender seu bairro com políticas de infraestrutura e inclusões social e educacional do morador.
A população em 1997 era de 30 mil habitantes e hoje já está em 80 mil, o que aumenta a demanda pelas necessidades básicas, como luz, água e saneamentos. O vereador obteve grandes conquistas como a construção de um CEU, um CEI, uma escola estadual e duas municipais, através do plano de urbanização do prefeito Serra. “ Um dia as crianças da escola de lata Paulo Freire vieram ao meu gabinete com um abaixo-assinado me cobrar que tinha um lixo na frente” , conta Rolim. Hoje a Paulo Freire deu lugar a uma nova escola com melhor estrutura para os alunos do bairro.
Em relação ao confronto de fevereiro, o líder comunitário já o previa há 11 anos, quando um estudo realizado pelo Instituto Albert Einsten revelou que 31% da população era jovens e crianças, e que com muitas insatisfações e poucas instruções se rebelariam facilmente. “Por isso minha maior preocupação é formar o cidadão”.
