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Saudades

Acho que não sinto saudades.

O que eu sinto é mais como um aperto no coração que considero totalmente diferente de saudades. Aliás , não gosto de usar essa palavra porque ela possui uma conotação positiva. E não acredito que as saudades  sejam positivas . Quem acha isso  é porque não sente falta de verdade de alguém, de um lugar ou de um momento. Apenas encontra uma memória interna,  mas não a sente.

Eu prefiro chamar de aperto no coraçào e pode até parecer idiota, mas no meu mundo de sentimentos ilógicos, encontrei uma explicação lógica para esse aperto: quando alguém muito importante para você(mas tem que ser importante mesmo, tem que gostar de verdade) se distancia ou simplesmente evapora da sua vida, você sente (ou deveria sentir) que um pedaço do seu coração se esvaiu e que ficou um espaço vazio, um buraco. Esse órgão então que na verdade é um músculo, se espreme todo, flexiona de um lado  para o outro tentando preencher esse buraco.. O que acontece, no entanto, é que esse espaço é insubstituível e não há esforço que o pobre coração faça que consiga ocupá-lo.

O esforço é tão grande que nosso coração chega a se corroer.  E dói. Sentir saudades dói.

Então é isso, a falta de alguém que já te fez muito feliz, que faz diferença na sua vida ou simplesmente com a qual companhia você queria estar torna-se insuportável para quem a sente. E o que dizer da nostalgia? Ah, aquela época quando tudo era mais simples, quando eramos mais felizes e menos complicados. Quando a música dizia tudo e as palavras nada, quando o rock acalmava e o jazz reinava. Ou então quando se era jovem, quando se era apaixonado, quando as conversas duravam e os risos se faziam ouvir.

Enfim, sempre haverá tempos de glória para saudar, amores para recordar e momentos inesquecíveis para reviver, mas nada disso volta e nem pode ser como uma vez já foi. E é nessa hora que não basta lembrar com carinho e contentamento. Não, aquele espaço vazio do coração insiste em pertubar, causando uma certa angústia. Quem nunca se sentiu angustiado de repente e não soube achar um motivo? Pois então,  está aí a razão. A angústia de algo que não existe mais. A falta do que não se pode ter para sempre. 

As saudades.

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